Casa cheia, estreias e um certo clima de despedida. Neste sábado conseguimos juntar quase todos os sumidos do grupo e montar uma joga bem legal. Participamos eu, Mário, Igor, Mayapur e Tiago, que eu nem conhecia ainda (pra ver o quanto o cara estava desaparecido... hehe).
Começamos experimentando o recém-chegado Dominion: Intrigue, trazido pelo Mário, que acabou de adquirir a coleção completa. Jogamos duas partidas do Intrigue puro, num dos setups pré-configurados do jogo. Nestas duas partidas, as cartas mais usadas foram Tribute, Harem e Ironworks. Ganhei as duas partidas, numa delas seguido bem de perto pelo Mário.
Minha opinião é que a expansão é interessante, tendo algumas cartas muito legais, contudo, parece que faltou alguma coisa. Não sei se foi o fato de jogar com 5 jogadores ou talvez que a expansão não funcione sozinha, mas a partida não teve tanto dinamismo quanto o jogo base. Tive também a impressão de que algumas cartas são desequilibradas (como o Tribute, por exemplo), mas foram apenas duas partidas e só utilizamos dez cartas de expansão, então não dá tirar qualquer conclusão mais fundamentada. Gostei das cartas com ações alternativas, que proporcionam uma outra camada de escolhas na fase de ação (tirando da fase de buy a exclusividade na montagem de combos e, talvez, diversificando um pouco o jogo). Só sei de uma coisa: quero jogá-lo mais vezes, especialmente misturando cartas da expansão com algumas cartas chave do jogo base.
Depois de alguma confabulação sobre partirmos direto para um jogo pesado ou passarmos antes por um filler, os defensores da segunda opção prevaleceram e o escolhido foi o Zack & Pack (Pack & Stack). Joguinho divertido e bom para rir das desgraças dos adversários, tanto no resultado dos dados quanto no caminhão escolhido. Para quem quiser saber um pouco mais, o jogo já foi comentado por aqui antes. Foram três hilariantes partidas, das quais venci uma e o Tiago venceu duas.

Por fim, partimos para a atração da noite, o Indonesia. Trata-se de um dos mimos da coleção do Mayapur, que não via mesa há um bom tempo. De todos, só Mayapur e Mário o haviam jogado, mas também não se lembravam das regras (hehehe), o que gerou um longo processo de aprendizado. De início, cabe ressaltar a beleza do tabuleiro, que tem um projeto gráfico peculiar (ao estilo da editora Splotter Spellen), representando um mapa antigo do arquipélago da Indonésia. Minha única ressalva neste sentido é de que o tabuleiro deixa um pouco de lado a funcionalidade, havendo uma certa confusão na visualização dos limites de territórios, bem como uma sensação de caos, nas fases mais avançadas, com a proliferação de tokens de produção (OBS.: Para quem também acha isto um problema, recomendo o lindíssimo mapa redesenhado pelo brasileiro "Xandolino", que corrige a questão da funcionalidade sem alterar a beleza do tabuleiro).

O jogo é bem diferente de todos que já joguei. Em princípio, não estou acostumado com jogos econômicos. Senti-me um pouco perdido durante boa parte do jogo, pois não sabia quanto deveria gastar nos leilões e quais companhias adquirir. Também não tinha em mente uma estratégia clara a seguir, e fui sobrevivendo vendendo produtos baratos a cidades adjacentes. Eu percebi que era um dos menos desenvolvidos no jogo e resolvi então mudar um pouco de tática, adquirindo uma empresa mercante, expandindo-a e vendendo-a na rodada seguinte, angariando um bom dinheiro. Depois, com algumas cidades já expandidas, resolvi investir no monopólio do arroz, fundindo uma das minhas companhias com a única companhia concorrente neste produto. Fiquei ainda com o monopólio de especiarias, visto que as outras companhias de especiarias foram fundidas em companhias de Siap Faji. Os dois monopólios me proporcionaram um bom rendimento nas rodadas finais, pois, apesar do preço baixo destes produtos, eu tinha uma grande quantidade deles. O Mário, que também ficou pra trás durante todo o jogo, também conseguiu alavancar seus lucros adquirindo o monopólio da borracha e uma companhia enorme de Siap Faji. Enfim, na rodada final, eu e o Mário conseguimos tirar a diferença dos outros jogadores, mas não foi suficiente para tirar a vitória do Tiagão, que apesar de quase não ganhar dinheiro no final, já tinha amealhado o suficiente para ser o vencedor. Vitória apertadíssima do Tiagão, seguindo bem de perto pelo Mário e por mim. Um pouquinho atrás ficaram o Igor e o Mayapur. Detalhe: A partida, com as explicações, durou umas 6 horas... :-O
Confesso que tive sentimentos contraditórios sobre o jogo. Por um lado, achei o jogo um pouco longo demais (muitos momentos de downtime) e também que fica um tanto morno nas eras 1 e 2, só esquentando de verdade na fase 3, especialmente na última rodada (na qual os lucros são computados em dobro), mas creio que isto se deva bastante ao fato da partida ter 5 jogadores, que não parece o ideal. Por outro lado, o jogo ficou martelando na minha cabeça até agora. Fiquei imaginando o que poderia ter feito diferente e relembrando as boas e más jogadas realizadas. Acho que curti mais o jogo depois de passado um tempo do que ao acabar de sair da mesa, e isto me pareceu um aspecto bastante positivo. E, esta "estranha" sensação de "diversão pós-jogo" fez com que eu mudasse a minha nota inicial ao jogo de um 8,0 para um 9,0. Com certeza, quero jogá-lo novamente para abalizar ou não esta primeira impressão.
E, pra finalizar, explico o tom de despedida. Este mês, mudarei-me para o Rio de Janeiro. Sentirei saudades das memoráveis jogas que ocorreram aqui em Petrópolis e das pessoas legais que conheci. Espero, de vez em quando, reunir-me novamente com essa gente legal em volta de um tabuleiro. Meu alento é que também tenho excelentes amigos lúdicos na Cidade Maravilhosa, que certamente não me deixarão órfão deste fantástico hobby.
Abraços,
Leandro.
Bom blog!
ResponderExcluirO teu Indonésia é um PnP?
O Zack & Pack é hilário, ótimo pra rir das desgraças alheias.
ResponderExcluirQuanto ao Dominion: INtrigue, tb tive a mesma sensação, a de que ficou faltando algo. As cartas são desequilibradas e o mix com o básico reduz a velocidade do jogo, não sei porque. Pode ser pela falta de experiência com a expansão (ou talvez as cartas não sejam tão boas assim, mesmo).
O indonésia ainda não conheço, mas pareceu bem complexo e o mapa, um pouco confuso.
No mais, seja bem-vindo à Cidade Maravilhosa!!!
Abrax,
ZOmbie
Olá, Carlos! Tudo bem? Obrigado pela visita ao blog.
ResponderExcluirO Indonesia que jogamos ontem é o original, de um membro do grupo, mas estou pensando em fazer um homemade com o mapa redesenhado (link no post) e com cubos de madeira. Acho que o jogo deve ficar bem mais prático e rápido.
Abs
Leandro
E aí, Zombie!
ResponderExcluirQuanto ao Intrigue, tenho que conhecê-lo melhor, mas me pareceu um pouco mais lento que o jogo base.
E o Indonésia realmente possui um mapa um tanto confuso. Como você acha o Agricola um tanto demorado e brain burner demais, acho que você não gostaria muito do Indonesia, pois acho que ele é pior que o Agricola nos dois quesitos. Mas eu gostei do jogo, e estou pensando, como já disse acima, em até fazer um homemade dele, com o mapa redesenhado e cubos de madeira para os recursos.
Obrigado pelas boas-vindas e espero que joguemos bastante por aí.
Abs
Leandro "Euro" rsrs